*Sim, sou uma pessoa viciada em estudos de linguagem videográfica e cinematográfica.
Tudo começou com uma letra de música, um mensagem no celular.
Numa conversa em off, Annabelle revela-se em sua criadora e explica o porquê da escolha do codinome Amor àquele que o porta.
- Eu aaaaaaaaaamo essa música! – diz Amanda, abrindo um sorriso repleto de lembranças.
- Eu também.
- Uma das primeiras mensagens que você mandou pro meu celular foi dizendo que estava ouvindo Trouble e me dando um beijo. E que o beijo tinha demorado tanto que a música acabava. – rindo.
- Nossa.
- Lembra disso?
- (rindo) Não. Você sabe como é a minha memória...
- Pois eu lembro. Acho que ainda tenho ela. Espera?
- Claro!
- Achei. Diz o seguinte: “A música ta tocando na FM Sul...rs. Tinha que ouvir antes de dormir. A propósito, boa noite e beijo bem gostoso na boca! Demorou tanto que a música acabou”. E tinha uma antes dessa que dizia “to ouvindo Trouble – Coldplay”. A data é... hum... dia vinte de setembro de dois mil e seis. (Sorrindo fartamente) Lembrou agora?
- (gargalhando) Não. Mas só pode ter sido eu mesmo. Só eu mando mensagens desse tipo.
- Tá vendo? E a data? Você viu? (gargalhada) Um mês e você já estava me mandando mensagens assim.
- Uhum. (risos) Claaaaaaaaro. Mas... você acha que eu me apaixono rápido?
- Acho que não. Acho até que você demora demais.
- É que você disse “um mês e você já estaVa”...
- Eu me apaixonei mais rápido do que você.
- Mentiiiiiiiira.
- Quanto a mensagem, eu tô falando do teor erótico. Quando li, imaginei o beijo. Só isso. Mas eu me apaixonei muiiiiiiito mais rápido que você, sim. Nem vem. Quer ver? Me diz. Quando você se apaixonou por mim?
- Voltando pra casa eu já estava apaixonado. Senão não teria ido te ver.
- Teria sim... Você ainda não tinha o que queria... (risos enigmáticos).
- (correspondendo ao sorriso) Verdade. Não sei dizer quando foi. Mas foi antes de você.
- Eu acho que você teria ido pelo mesmo motivo que eu também queria te ver. Tinha sido bom e eu queria que continuasse sendo. Sem contar que eu estava louca por você. Mas a paixão que eu to falando é aquela vontade incontrolável de demonstrar carinho... e não simplesmente desejo, que era o que a gente sentia antes daquele dia. Pelo menos era o que eu sentia. Mas eu me apaixonei antes! Certeza! Eu me apaixonei na terceira vez. Cara, você não se apaixonou antes disso... (risos) Você só queria me comer antes disso.
- Moça, na terceira vez ainda foi no festival. No último dia.
- Nãoooooooo, eu tô falando de quando você foi lá em casa...
- Huuuuuuuuuuuuuum. Tá bom, Mam, você foi antes. Sua chata! Insuportável!! (risos)
- Obrigada pelos elogios (risos). Eu me apaixonei porque você foi lá em casa me ver. Achei que ninguém no mundo faria aquilo.
- Sério? Eu sou muito impulsivo mesmo...
- Sério.
- Por que?
- Porque eu estava numa fase em quem precisava ser resgatada pelo romantismo. E foi por isso que você ganhou o codinome de “Amor” para Annabelle. Porque você me resgatou.
- Que bonitinho! Fiquei feliz! Mais feliz! Mudou meu dia...
- E você estava triste?
- Não. Mas agora o dia ficou melhor.
- (muito meiga) E é tudo verdade...
- Eu sei. Se não você não diria.
- Você nunca se perguntou por que era o Amor?
- Não. Pensei que era porque você me amava... Achei errado, pelo visto. Agora ficou mais bonito. Eu sou desligado, né?
- Não deixa de ser verdade. Aquela era a minha fase Augusta dos Anjos. Eu sou uma pessoa sugestionável e talvez a frase que o Espantalho disse pra mim quando me conheceu tenha influenciado para que essa fase começasse. Ele disse "não quero te envolver nas minhas asas de demônio" e eu respondi "e se eu quiser me envolver?". Foi assim que começou minha fase introspectiva, racional, carnal. Quando eu te conheci, estava louca para acreditar nos sonhos, nos sentimentos, nas pessoas... Você, com aquele gesto de ir até a minha casa, me fez acreditar que ainda existiam coisas boas no mundo. Que eu ainda tinha coração. Que eu não tinha esquecido como era amar e ser amado da mesma forma. Por isso você virou o Amor.
- Hum, entendi. Perfeitamente.
- (risos) Como é que uma pessoa responde a um texto desse com apenas três palavras?
- Respondendo, ué. O que eu ia falar achei que não era ideal. Então é melhor responder com três palavras.
- Fala. Por favor. Se não vou ficar cheia de paranóia.
- Não. O clima aqui ta muito bom para ser estragado.
- Eu preciso que você fale.
- Tá... Como que uma pessoa se deixa envolver pelo “demônio”? E deixa que ele mate tudo de bom que há. Você tem muita sorte. Poderia ter pego um sacana qualquer que fizesse mal a você ou reforçasse suas certezas no momento.
- (risos) Entendo sua pergunta. E a minha resposta é... alguém que está louca para se sentir amada se deixa envolver por qualquer coisa. Era assim que eu estava na época. Eu lutava há anos por alguém que nunca tinha feito um esforço para me ver e me entreguei ao primeiro que parecia ser uma boa pessoa. Mesmo ele me alertando, eu queria me sentir desejada, procurada, amada.
- Tudo isso porque você esqueceu que seu nome é Amanda. E o significado que esse nome tem.
- Tudo isso porque eu nunca acreditei que deveria ter esse nome. (gargalhada)
- Chata, incrédula. Vou te bater.
- Bater, é? (risos) Uuuuuuuui.
E abraços, carinhos, beijinhos fizeram o rumo da conversa se desviar para mais abraços, mais carinhos, mais beijinhos. E algumas tantas declarações de amor em silêncio, porque tudo que havia para ser dito tinha sido dito.